Muito mais do que você imagina. E a resposta está na linguagem.
Quando se fala em "ressecamento vaginal", a palavra não é escolhida por acaso. "Ressecamento" pertence ao campo da geologia — é o mesmo termo que usamos para deserto, terra rachada, sertão. Um território morto. Um estado fixo. Fatalista.
A mulher está ressecada. E ponto.
Não há processo. Não há ciclo. Não há vida. Só um diagnóstico congelado no tempo — como uma paisagem árida que nunca mais vai florescer.
Mas repara numa coisa:
Ninguém diz que uma pessoa está "ressecada" quando a pele perde água. Dizemos que está desidratada. Porque desidratação pertence a outro campo semântico: o dos processos, dos ciclos, dos estágios naturais da vida.
A pele hidrata e desidrata. Os olhos. A boca. As articulações. O corpo inteiro respira em ciclos.
Então por que, quando se trata da região íntima feminina, a linguagem muda?
Por que o corpo dela vira paisagem morta — e não processo vivo?
👇 Comenta aí: você já tinha parado pra pensar nisso?
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