Um novo conceito de mulher para o século XXI
A compreensão do corpo da mulher,
segundo a Filosofia do Cuidado Íntimo, é para a existência, um ser fêmea; para
a vida social, um ser humano político; para a dinâmica histórica, um ser
cultural de seu tempo; para a espiritualidade, um ser filosófico; e, para a
evolução, um ser único. Na contemporaneidade, ela busca restaurar sua
participação plena na estrutura social e no jogo político para construir ou
moldar um mundo com mais equilíbrio entre os papéis de homens e mulheres, com o
objetivo de fazer do mundo um lugar saudável para todos, em especial para seus
filhos e família.
Durante séculos, a
biofuncionalidade do corpo feminino foi distorcida sob diversos aspectos:
biológico, médico, científico, social, político e ideológico, em especial, a
patologização do corpo feminino, especificamente, o sistema reprodutivo,
homeostase e prazer (SRHP), antigo aparelho reprodutivo.
Isso significa que esse corpo foi visto
como algo excepcional, anormal, com uma visão de processos biologicamente naturais,
submetido à medicalização desnecessária ou interpretação errônea, além da
apropriação do seu próprio corpo. Com isso, a mulher perdeu autonomia para
cuidar da sua saúde íntima no cotidiano, da mesma forma que ocorre com o rosto
e com o corpo.
Do ponto de vista biológico, a
patologização também significa que os critérios fisiológicos ou os estágios de
normalidade, envelhecimento e doença não estão representados
— ou estão de forma irregular — no corpo feminino, no seu sistema, nos órgãos e
na sua mente. Porque um ou mais desses aspectos são tratados como excepcionais
ou como doença por profissionais, médicos ou pela própria ciência. No caso
específico da patologização do corpo feminino, há ausência ou supressão total
do estágio de envelhecimento.
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A supressão desse estágio fisiológico foi
inserida na saúde feminina com a mudança da medicina baseada em
plantas-remédios naturais para a ciência científica com Hipócrates, na
Antiguidade. Hipocrática, formulou a "teoria do útero errante" firmando
a tese de que o órgão, útero — diga-se de passagem saudável — causava
enfermidades físicas e mentais na saúde da mulher. Aqui se origina o início da
abordagem patológica ocidental sobre o corpo feminino.
Entre outras consequências desse
pensamento no século XXI, destaca-se a prevalência da ausência do conceito de
saúde feminina, que deveria abranger todos os aspectos dos três estágios
fisiológicos, portanto, normalidade, envelhecimento e adoecimento;
que temos hoje é uma oposição entre saúde e doença que opera sobre o corpo
feminino.
Isso deixa de lado o cuidado íntimo do
cotidiano, entendido como um "skincare íntimo", em que a própria
mulher é responsável por manter a pele íntima hidratada, nutrida e músculo tonificado.
Essas práticas de cuidado íntimo ajudam a combater os reflexos do
envelhecimento íntimo (como ressecamento e atrofia vaginal), preservando a
beleza e o bem-estar, tanto do ponto de vista estético quanto de saúde em geral
da vagina e da região íntima
C
Por outro lado, essa lacuna é preenchida
hoje pela teoria fatalista dos hormônios, segundo a qual eles movem a vida, a
vitalidade e trazem alegria à existência da mulher. Assim, a redução natural
desses hormônios é interpretada como falência e insuficiência dos ovários — ou
seja, é a própria teoria do útero revisitada, agora sob nova direção: do
casamento para a indústria farmacêutica, com alguns médicos e cientistas como
intermediários.
Tal qual Hipócrates em sua época,
controlando a vida e o corpo feminino por meio de recomendações de casamento,
gravidez e sexo, enquanto isso, a saúde das mulheres continua submetida a esse
jogo de interesses.
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Essa é uma das grandes limitações da
escola de Hipócrates, que se tornou uma espécie de "muralha" incapaz
de reconhecer que há vida, desejo, vitalidade e plenitude no ser feminino,
mesmo depois do período fértil. Afinal, a infertilidade é a “morada permanente”
da mulher, enquanto a fertilidade é sua “morada temporária”. Cada mulher nasce
com a capacidade de se tornar fértil e, ainda assim, ela é temporária. A
fertilidade não é a vida, o desejo ou os sonhos da mulher, em especial para a
mulher do século XXI, ela é parte
Porque a mulher é ser político, social e
cultural, que carrega a capacidade de ser fértil. Portanto, limitar a vida, a
alegria e aspiração do ser mulher apenas ao período reprodutivo foi e ainda é
errado da escola de Hipócrates. Tanto é assim que a maioria das espécies, após
ficar infértil, morre; entretanto, a mulher vive, linda e com saúde. Inclusive,
a própria biologia previamente prepara toda a estrutura física, biológica e
emocional para assegurar a longevidade, de modo que ela possa viver plena e
saudável por meio do Ciclo dos 40 ([1]Méry,
2026).
Portanto, a escola de Hipócrates, mesmo
2.500 anos após sua fundação, não conseguiu ultrapassar a barreira da primeira
fase da sociedade patriarcal — a fase de esplendor da Antiguidade clássica, de
controle total sobre a vida e a morte da mulher.
Essa dificuldade reside no fato de que
não foi uma medicina criada com a intenção de produzir conhecimento, apenas, mas
sim para atender aos anseios da sociedade patriarcal em seu modo de operar,
controlando a vida da mulher por meio da função reprodutiva. Por isso,
receitava casamento, gravidez e sexo como forma de cura de enfermidades, exercendo
assim o controle, fomentando valores sociais e satisfazendo as necessidades do
homem.
Esta é uma abordagem comprometida com a
herança da escola de Hipócrates e com a memória greco-romana, deixando o real
interesse da saúde feminina para segundo plano. Em pleno século XXI, essa
tradição ainda segue o seu "profeta", assim como os cristãos seguem o
deles. Prova disso é que até o processo biológico de desidratação vaginal — que
ocorre como em qualquer parte do corpo, no SRHP — é tratado como doença, com
termos como "sintoma" e "síndrome".
Além disso, usam-se termos da geologia,
como "ressecamento" e "secura", para caracterizar um espaço
geológico, no SRHP, em vez de usar "hidratação" e
"desidratação", que são os termos adequados para falar de processos
ou estados da pele ou do organismo.
Nesse contexto é que o Biofeminino: uma
nova perspectiva para compreender a mulher por meio da Filosofia do cuidado
íntimo é um campo de investigação dedicado ao entendimento da mulher em sua
totalidade. Ele aborda diversos aspectos: médico, científico, social,
político e ideológico, ao longo da história e da pré-história, tanto no:
Perspectiva
macro do Biofeminino.
A perspectiva macro investiga a
trajetória da mulher ao longo da história e sua relação com os processos
sociais, culturais, científicos e políticos que influenciaram a compreensão do
corpo feminino, nessa dimensão, o Biofeminino busca compreender:
- A
ancestralidade feminina;
- A
construção histórica dos conhecimentos sobre a mulher;
- Os
preconceitos e invisibilidades relacionados ao corpo feminino;
- A
participação das mulheres na produção do conhecimento;
- A
evolução das práticas de cuidado;
- A
relação política e social;
- As
transformações culturais que influenciaram a saúde feminina.
A perspectiva macro reconhece que a
compreensão da mulher não depende apenas da biologia, mas também da forma como
diferentes sociedades interpretaram e registraram sua existência ao longo do
tempo. Seu objetivo é promover um resgate histórico e ancestral que contribua
para ampliar o entendimento da experiência feminina.
Perspectiva
micro do biofeminino.
A perspectiva micro investiga a relação
médico-científica, em especial a patologização do corpo feminino, a visão
excepcional e as distorções de processos naturais e do normal biofuncionamento.
Ela também analisa a construção da arquitetura biológica da mulher e os
processos que sustentam sua vitalidade relacionados ao sexo, à sexualidade, ao
prazer, à estética íntima e ao bem-estar feminino em todas as fases da vida.
Nessa dimensão, o Biofeminino é
compreendido como uma rede integrada de sistemas fisiológicos, metabólicos,
hormonais, imunológicos e neurossensoriais que atuam em constante cooperação
para manter a saúde, a reprodução, a homeostase e o prazer.
A perspectiva micro inclui
especialmente:
- Rede
Metabólica Biofeminina: conjunto de
processos biológicos que conectam tecidos, hormônios, microbiota, sistema
nervoso, sistema imunológico, vasos sanguíneos e metabolismo celular.
- Sistema
Próprio de Hidratação Vaginal (SPHV):
subsistema especializado relacionado à manutenção da hidratação, proteção,
elasticidade e vitalidade dos tecidos íntimos femininos.
- Saúde Homeostática Feminina:
capacidade do organismo feminino de preservar o equilíbrio, a adaptação e
a funcionalidade diante das transformações naturais da vida, incluindo
envelhecimento, pausa reprodutiva e mudanças hormonais.
A
Integração das Duas Perspectivas
A Filosofia do Cuidado Íntimo propõe que
a mulher somente pode ser compreendida de forma plena quando as perspectivas
macro e micro são observadas em conjunto. A perspectiva macro revela a história
da mulher e a micro revela sua arquitetura biológica. Uma explica os caminhos
percorridos pela experiência feminina ao longo do tempo. A outra revela os
mecanismos que sustentam sua vitalidade no presente.
Síntese
Conceitual
O Biofeminino é o campo de investigação
da Filosofia do Cuidado Íntimo dedicado à compreensão da mulher em sua
totalidade histórica e biológica.
- Em
sua perspectiva macro, investiga a ancestralidade, a memória, a cultura e
a trajetória histórica da mulher.
- Em
sua perspectiva micro, investiga a arquitetura biológica feminina,
composta pela Rede Metabólica Biofeminina, pelo Sistema Próprio de
Hidratação Vaginal e pelos mecanismos da Saúde Homeostática Feminina.
Juntas, essas perspectivas permitem
compreender a mulher como uma expressão singular da arquitetura biofeminina,
sustentada por uma rede integrada de saúde, reprodução, homeostase e prazer ao
longo da vida.
Biofeminino é um convite para você
olhar para o seu corpo com outros olhos. Para parar de tratar o natural como
doença e começar a cuidar da sua saúde íntima com alegria, prazer e autonomia. Espero
que tenha gostado, você pode caminhar conosco de várias formas:
1. Consumindo nossos produtos —
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íntimo ou vaginal para ter um plano e protocolo de cuidado íntimo com
fase de skincare definida e de nível de hidratação vaginal.
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3. Divulgue –
Compartilhe este texto, chame outras mulheres para o debate, quanto mais
falamos, menos tabu existe.
4. Escreva –
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6. Siga e interaja –
Acompanhe nossas redes sociais, deixe comentários no blog, faça perguntas. Sua
participação ativa nos ajuda a melhorar, crescer e alcançar mais mulheres.
O mundo com mais equilíbrio entre homens
e mulheres não virá sozinho. Ele será construído por nós, com cada
compra, cada compartilhamento, cada comentário e cada olhar mais gentil sobre o
próprio corpo.
Rose Di Méry
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[1] GREGO-ROMANO QUE INVENTOU A
DOENÇA FEMININA:
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